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Tati Quebra Barraco sobre "capô de fusca": esse é o feminismo que queremos

Luiza Sahd

10/07/2019 04h00

Parece mentira que vivemos para ver uma mulher falar publicamente, sem constrangimento, sobre uma trivialidade que deveria estar sendo discutida há muito tempo. O debate sobre a questão da "mulher xerecuda" urge.

Se você é mulher xerecuda — e nunca se sentiu contemplada na hora de comprar biquínis e maiôs (mas também não pediu que as marcas de moda praia aumentassem as calcinhas) –, tenha em mente que Tati Quebra Barraco honrou o nome artístico e quebrou um galhão por você nesse comecinho de semana.

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Só de falar sobre uma necessidade básica dessas sem usar o famigerado termo "capô de fusca", que associa nossas vulvas a peças de oficina mecânica, Tati já mereceria o céu; mas ela foi além e lembrou que a moda do biquíni enfiado não tem ajudando em nada a mulher que quer ir à praia para, de repente, se divertir, relaxar, sentar de perna aberta sem ficar tensa porque vai escapar alguma coisa de dentro da calcinha. Alguma coisa bem íntima, tipo um grande lábio vaginal.

Mais do que conforto, achar roupas de banho que tenham tecido suficiente para cobrir o que foram feitas para cobrir deveria ser uma missão simples. Não é.

Obviamente, biquíni cavado pode e deve existir para atender às mulheres que querem e conseguem ficar confortáveis a bordo daquela tirinha mixuruca; o problema é quando não existe opção para quem não quer seguir o padrão sexy na praia.

Peregrinando de loja em loja sem achar opções honestas para proteger a tchebs do sol, a gente se acostumou a achar que o nosso corpo está errado quando ele não se adapta às demandas da moda… e esqueceu que nenhum corpo deveria estar "errado". Erradas são as marcas que não contemplam corpos diversos.

Baixaria ou banalidade?

Muita gente pode argumentar que "mulher xerecuda" também é uma forma chula de se referir a uma vulva. Se for o que você está pensando nesse momento, recomendo demais que leia esta reportagem da colega Adriana Terra, sobre os nomes que damos para nossas genitálias, antes de chegar a qualquer conclusão. 

Ainda sobre a Tati Quebra Barraco, fico triste quando ela é dura com outras mulheres nas redes sociais, mas quando ela acerta o discurso, ela acerta mais que Simone de Beauvoir. 

A gente sabe quais são os padrões machistas que nos impedem de avançar como sociedade igualitária. Agora, seria bom poder falar mais abertamente sobre o tema das mulheres xerecudas ou alguns outros levantados por ela, como este:


Ou este:

Faça mais sexo e menos treta; um oferecimento Tati Quebra Barraco.

Aguardamos ansiosamente pela descriminalização da mulher xerecuda e pelas próximas causas que Tati pode nos ajudar a visibilizar como assuntos mais naturais e menos vexatórios. Esse é, definitivamente, o feminismo que queremos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Luiza Sahd é jornalista e escritora. Colaborou nas revistas Tpm, Superinteressante, Marie Claire e Playboy falando sobre comportamento, ciência, viagem, amor e sexo. Vive entre São Paulo e Madrid há anos, sem muita certeza sobre onde mora. Em linhas gerais, mora na internet desde 2008.

Sobre o blog

Um lugar na internet para falar das coisas difíceis da vida -- política, afeto, gênero, sociedade e humor -- da maneira mais fácil possível. Acredita de verdade que se expressar de modo simples é muito sofisticado.

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