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Luiza Sahd

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Batman acha que é gótico, mas é emo. Pattinson é perfeito para o papel

Luiza Sahd

2029-05-20T19:04:00

29/05/2019 04h00

De boas, curtindo uma bad na caverna (Foto: iStock)

Nas últimas semanas, os rumores de que o ator Robert Pattinson seria o próximo Batman na franquia de filmes da DC Comics deixou uma galera indignada. Em linhas gerais, o pessoal reclama que Pattinson (da saga Crepúsculo) não seria durão o suficiente e nem bom ator para um papel desse tamanho.

Pattinson tem fama de emo e as pessoas acham que Batman é gótico. Vocês me desculpem, mas vamos pensar um pouco melhor sobre essas afirmações?

A gente adora o Batman porque ele é humano, mas, apesar de ser um super-herói sem superpoderes, conta com todos os atributos socialmente desejáveis em um homem — principalmente pelos próprios caras, já as mulheres são menos exigentes com esse negócio aí de modelos masculinos inabaláveis. Voltando ao Batman, ele é um homem branco, famoso por sua inteligência, é playboy, tem uns carros caríssimos tunados e pratica artes marciais. Até aí, nada contra o Pattinson.

Aqui, temos provas irrefutáveis de que o Batman é tudo o que um rapaz gostaria de ser:


Homem bonito e legal = tonto.

Homem bonito e inteligente = babaca.

Homem inteligente e legal = nerd.

Homem bonito, inteligente e legal = Batman.


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O único problema desse super-herói é… todo o resto. Batman faz de tudo para ser durão, mas um cara que não lida bem com as emoções, na minha terra, é emo sim.

Ele precisa, desesperadamente, se distrair dos próprios sentimentos e é por isso que vive nessa sobrecarga de trabalhar como CEO de dia e ainda salvar o mundo à noite. Importante, também, é lembrar que o Batman mora numa caverna e não é um morcego de verdade. Você acha saudável morar numa caverna quando você tem a opção de morar em uma casa ensolarada? Eu não acho.

Daí que a caverna é só uma pista para o grande sofrimento que essa assepsia emocional tem proporcionado ao Batman. Ele dedica um tempo tão irrisório aos traumas mal resolvidos que acabou virando um cara com duas identidades — sendo uma com máscara! Não há modo de pensar nisso sem dar um sorrisinho malandro e lembrar do documentário "A máscara em que você vive", da Netflix. A questão da cueca por cima da roupa eu deixo para cada leitor tirar suas próprias conclusões.

Repare bem. Batman é órfão, nunca chora, resolveu combater o crime por causa disso mas não costuma tocar no assunto. Ele só tem o Alfred — seu mordomo — na lista de amigos íntimos. Você pode estar pensando em citar o Robin como melhor amigo, mas sejamos honestos: a interação dele com o Robin é emocionalmente pobre. Os caras só se encontram eventualmente para extravasar raiva, juntos, chutando bundas de criminosos. Eles nem são íntimos e, além de tudo, qualquer coisinha o pessoal faz galhofa insinuando que são gays.

O Batman, coitado, não consegue entrar muito em contato com o que sente. Ele acha que é gótico, faz de tudo para parecer gótico mas vai ser emo (nada contra, até tenho amigos que são) enquanto não cuidar dessa masculinidade tóxica aí. A única emoção que ele consegue demostrar é ódio; no resto do tempo, ele parece impassível. Por essa e por outras, seria até um desperdício escalar um ator super expressivo para viver o papel do cara que mal expressa o que sente.

A escolha do Pattinson é perfeita. Já as escolhas pessoais do Batman, tomara que melhorem nos próximos episódios da saga.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Luiza Sahd é jornalista e escritora. Colaborou nas revistas Tpm, Superinteressante, Marie Claire e Playboy falando sobre comportamento, ciência, viagem, amor e sexo. Vive entre São Paulo e Madrid há anos, sem muita certeza sobre onde mora. Em linhas gerais, mora na internet desde 2008.

Sobre o blog

Um lugar na internet para falar das coisas difíceis da vida -- política, afeto, gênero, sociedade e humor -- da maneira mais fácil possível. Acredita de verdade que se expressar de modo simples é muito sofisticado.