Luiza Sahd

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Quer amor no Dia dos Namorados? Corre que ainda dá tempo!

Luiza Sahd

12/06/2018 04h01

Foto: Reprodução/ Instagram.

Meu primeiro beijo aconteceu um pouco antes dos 12 anos de idade. De lá pra cá, vivi para ver 22 Dias dos Namorados das mais diferentes perspectivas: solteira sem ter nem idade para me enquadrar nesse estado civil, namorando (e talvez sem idade para isso também), enrolada, namorando com idade para namorar, sendo amante, sendo casada, sendo separada, tico-tico no fubá… Muita coisa acontece em 22 anos quando você é uma pessoa que, parafraseando Gilberto Gil, gosta de gostar.

Sempre que o 12 de junho chega, a gente é bombardeado por noções erradas sobre amor e namoro (já reparou que uma palavra cabe dentro da outra mas, na prática, nem sempre está lá?). Então.

Durante as últimas duas décadas, tenho certeza de ter ouvido palavras lúcidas sobre amor e posso até ter entendido um monte delas, mas bastava chegar a data comercial para eu me enrolar toda com o conceito de alma gêmea — sozinha ou acompanhada.

Este ano não namoro, mas penso no amor como nunca. E sinto uma paz inédita porque desconfio que pensar em amor só traz paz. Se você pensar em amor e sentir qualquer coisa muito diferente de paz, talvez você esteja chamando de amor algumas coisas que não levam esse nome. A gente confunde amor com atração, com desejo de segurança, com vontade de ser mais completo, com possessividade, com vergonha de estar sozinho, com cada coisa… A gente vem barbarizando o conceito de amor. O pessoal vandaliza mesmo as quatro letrinhas que cabem dentro de um namoro.

Outro dia, solteiríssima, fiquei rindo da minha própria cara quando comecei a listar as coisas maravilhosas que me dei, sem perceber, enquanto esperava por um amor romântico para fazer esse trabalho por mim. Eu não só fiz o trabalho como ignorei tudo o que tinha conquistado por conta própria: a graduação, os empregos, viagens, amores não-românticos, idiomas novos, o apreço pelo meu próprio corpo, livros que li com meus olhos e até essa conclusão simples que ninguém me entregou embrulhado em papel celofane no 12 de junho. Essa conclusão pousou na minha mesa feito um passarinho intrometido — enquanto eu, supostamente, deveria estar pensando em outras coisas mais “úteis”.

Longe de mim relativizar relações humanas alheias ou o prazer que só o amor romântico pode proporcionar, mas eu adoraria ter dado ouvidos a certas obviedades mais cedo na vida. Queria muito que alguém tivesse me dito, ainda na escola, que namorado nenhum poderia me garantir a felicidade e que, mesmo que ela passasse por ele, seria sempre assunto meu. Sem prestar atenção nisso, ganhei mas não levei. Até ontem.

Hoje, meu plano é celebrar a data namorando comigo — uma das poucas modalidades de relacionamento que ainda não testei em duas décadas de Dia dos Namorados. Que cabeça, essa minha.

Sobre a autora

Luiza Sahd é jornalista, escritora e especialista em mídias digitais. Colaborou nas revistas Tpm, Superinteressante e Playboy, falando sobre comportamento, ciência, viagem, amor e sexo.O que realmente importa: já entrevistou Inri Cristo, já flertou com Bruno de Luca usando um abadá e, sob influência de Shakira, vive na Espanha há dois anos rebolando para viver da sua arte.

Sobre o blog

Um espaço seguro para a troca de experiências tão reais quanto bastidor de selfie ou conversa de comadres lavando a calçada da vila. Aqui, a dor da gente sai no jornal sim.

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