Luiza Sahd

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Sucesso é tudo, menos o que a gente imaginava que fosse

Luiza Sahd

12/01/2018 08h00

Muito embora um aplausinho de vez em quando não faça mal a ninguém (Foto: iStock)

 

No último dia 10, a Terra completou duas voltas em torno do sol sem David Bowie. Sinceramente, acho até meio ofensivo que o planeta não tenha parado pelo menos um pouquinho quando ele parou também. Sou o tipo de fã que acredita de verdade que ele era algo maior do que nós. Ou acreditava até ontem.

Acontece que, ontem, reli este texto um de um amigo muito querido sobre a morte de Bowie (principalmente sobre a vida, na verdade) e acabei intrigada sobre as razões que favoreceram o sucesso de Bowie, tão doidão, em um mundo majoritariamente conservador.

Talento? Sim.

Inteligência? Muita.

Meios para “chegar lá”? Provavelmente.

Mas o que ele tinha de sobra era liberdade de espírito, e me importa menos o que levou Bowie até onde ele chegou do que aonde o exemplo dele pode nos levar.

Quando você trabalha com comunicação e tem um espaço com o seu nome e foto em um portal, chega sempre o momento em que alguém diz que você está fazendo sucesso. O sucesso é muito atrelado à fama e à mídia, e é difícil argumentar o contrário. Mesmo que eu tentasse contar para mim mesma no passado que eu teria isso e não me veria essencialmente como uma “pessoa de sucesso”, seria difícil me convencer de que é assim. Isso diz coisas demais sobre a nossa cultura e nossa percepção do que é ter sucesso.

Olhando para Bowie e pelo retrovisor da minha própria vida, sinto que tive sucesso em todas as vezes em que pude ser eu mesma, honestamente, sem tentar me enquadrar em nenhum modelo do que poderia ou deveria chegar a ser. São ocasiões raras, mas não foi isso o que Bowie fez da vida dele, no final das contas?

Acreditou no trabalho dele, pegou todo mundo que a gente pegaria (homens e mulheres) sem se preocupar muito sobre a etiqueta que se coloca nisso, dançou rebolando, usou maquiagem, roupas esquisitíssimas, chorou diante de câmeras, não deu muita satisfação sobre ter um olho de cada cor… ele esteve completamente à vontade com a condição de existir sem necessariamente atender a expectativas que não fossem as próprias.

Nunca conheci quem não quisesse ser uma pessoa de sucesso e quem não interpretasse “sucesso” como ter uma vida invejável em alguma medida. Com base nisso, a gente vai tentando ser mais um monte de coisas que não é e se sucesso for mesmo aquilo de poder ser autêntico, ele só vai ficando cada vez mais longe — ainda que haja um bilhão de olhos almejando uma vida como a sua.

Ainda sobre Bowie e régua de sucesso, o filme “Frances Ha” é um pequeno tesouro e tem Bowie como trilha para uma das cenas-chave da história:

A protagonista, Frances, é uma moça desajeitada profissional e socialmente. O que é tão bonito: ela se permite ser o que dá para ser. Em alguma altura da vida, todo mundo deveria perceber que o sucesso está em algum lugar disso aí.

O final eu não vou contar porque seria spoiler… e porque é o que menos importa. A gente tem essa mania de besta de perder a magnitude do espetáculo quando está preocupado com o desfecho. Vamos parar com isso?

Sobre a autora

Luiza Sahd é jornalista, escritora e especialista em mídias digitais. Colaborou nas revistas Tpm, Superinteressante e Playboy, falando sobre comportamento, ciência, viagem, amor e sexo.O que realmente importa: já entrevistou Inri Cristo, já flertou com Bruno de Luca usando um abadá e, sob influência de Shakira, vive na Espanha há dois anos rebolando para viver da sua arte.

Sobre o blog

Um espaço seguro para a troca de experiências tão reais quanto bastidor de selfie ou conversa de comadres lavando a calçada da vila. Aqui, a dor da gente sai no jornal sim.

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